Sempre imaginei o coração como se fosse uma grande biblioteca, cheia de estantes maciças de madeira que vão até o céu, com antessalas e cadeiras empoeiradas e um monte de livros jogados, esses que devem cair quando alguém sacode a nossa vida.
Hoje eu entrei nessa biblioteca imensa e ultimamente muito escura, só pra te reencontrar. Te procuro aqui e acolá, sem muita vontade, é verdade, sem saber se é isso mesmo que quero. Aqui dentro de mim é tudo uma bagunça, e tento te achar embaixo de umas pilhas de livros com capas velhas escritas ‘sentimento’, desses que sempre quis ler e não tive tempo ou daqueles que já li há um tempão e nem lembro como são.
Nem que quisesse, porém, esqueceria teu rosto cinematográfico. Rosto presente nos filmes de trailers fantásticos que nunca pude ver. Não esqueceria teu rosto, embora tente te achar em mim, num misto de “não lembro de você” e “não te quero mais”, e só percebo que é o contrário: apenas te quero e jamais te esqueci. Só preciso te achar numa dessas prateleiras.
Numa dessas prateleiras que tremem com a simples menção do teu nome, tremem junto com a perna e me fazem temer pelo futuro, sem que consiga seguir adiante. Achei que era raiva, enquanto era só um grande e pesado livro com mais de mil páginas com imensos “e se…” escritos. E minha vontade de fazer acontecer.
Esse livro é você, desses que sempre quis ler e nunca tive tempo. Um filme da minha vida com você, que sempre quis ver e nunca pude. Ou só mais uma visita que não rende frutos nem versos. E só me faz fechar as portas, biblioteca-coração.
(Te vi. Não sei se foi algo proveitoso ou se simplesmente consegui estragar seu almoço, mas está feito. Você me disse eu fui lá e fiz. Sequer sei como vai acontecer ou imagino. Falei com quem te conhece bem. Te vi e isso fez toda a diferença.)





E quando o olho pousa na pessoa e não há explicação.
Coisa linda, ein?
Por: Marcelo Rezende em 13 dezembro, 2011
às 10:08 pm
Viu como escreve bem? *.*
Por: lorenarisse em 18 dezembro, 2011
às 1:12 am