Quem lhe notasse o olhar vazio não poderia imaginar a riqueza daquilo que habitava a cabeça. Invisíveis não são apenas os sentimentos, mas quem não precisa provar nada da mesma forma não aumenta o tom de voz. Mas ah! Que voz viva, de quem sempre clama pela liberdade nas passeatas daqueles que sempre usam vermelho e estrelas no peito.
Poucos sabem por onde andou. Talvez milhas longe de casa. Nunca a reencontrou. Hoje dá voltas por entre beliches de algum abrigo no fim da Duque, perto de parques e pássaros. Mesmo vizinha do rio, se faz deserta de qualquer alguém. Chimarrão é vida, talvez exclama, amarga desse jeito e tragado, muitas vezes tragado. Mas encontrou seu canto, aquele que lhe fotografa o melhor ângulo.
Um casarão de trinta homens, todos sombras inexistentes, abaixo das solas, como sombras do sol do meio-dia. Não se sabe, não se vê, mas lá estão. O casarão de madeira velha, que range nos passos e que tem azulejos quebrados em doze partes.
Um jardim interno com uma árvore e um balanço. Nele ia, aqui e acolá, quase tocava o céu. Balançava, não só o corpo, mas os brios, todos a beira de um precipício de lágrima. A velha expressão à beira das lágrimas. Também se chora de felicidade, ainda que varrendo folhas pra debaixo de um tapete imaginário.
Entre cômodos e incômodos tem uma janela. Uma janela que é só dela. Com uma cortina longa e bordada. Ela está sempre em movimento, em ondulações. Graças ao fluxo do ar, esses ares que fogem lépidos pela beira do rio, que corre rumo ao sul, esperançoso. Correntes que fazem soltar a renda do trilho na parede. Enchem o quarto, mas não encontram paz nem voz.
Ela senta ao parapeito e sorri para a paisagem. Pela janela, não entra mais aquele sopro de vida. Mas um vento real.
Marina que me ajudou.





cheio de sentimentos e mistérios. adorei.
Por: enfins em 17 novembro, 2011
às 7:18 pm