O papel caiu no chão. Dentro de um ônibus. Em uma cidade lotada, com movimento próximo às 11 da manhã. Seria impossível ouvir ele caindo, mas foi com uma bomba, que alardou guerra nas minhas esperanças. Ônibus, esse universo paralelo da paixão platônica, lugar onde quem senta ao seu lado é a imaginação. E enfim, aquele papel caiu, mudando tudo que eu vinha pensando.
É preciso explicar que eu ainda não te conhecia. Aliás, ainda não conheço. Engraçado. Pessoas no transporte público me chamam a atenção, é verdade, mas de forma volátil, por isso acho tão justo chamá-las de passageiras. Passam, passam e não voltam. Mas você, menina de moletom do meu antigo colégio e tênis, e um cabelo chamando “Lucas, me afague”. Quis logo saber de você, claro, todos aqueles atributos, todos aqueles cadernos sendo levados de forma tão desajeitada, do jeito que eu sei escrever nos meus próprios cadernos. Você foi a realização das minhas idealizações.
Perguntei por você para quem poderia te conhecer. Fui obstinado a te descobrir. Dei características físicas, foi difícil saber. Te chamaram Mariana, Júlia, Clara. Nenhum, nenhum nome próximo. E nenhum deles tinha as características que me lembram você. Até que, o tempo foi passando, e minha memória sendo ocupada por outras coisas passageiras. Então te vi novamente. O mesmo horário de ônibus. Moletom, tênis.
Sentei estratégicamente atrás de você, uns dois bancos. Queria sentir o perfume. Lancei o olhar mais fundo e desinteressado que tenho. Charme, dizem uns, miopia, outros. Até que o papel caiu. Fazendo estardalhaço em minha mente, que procurava formas de só sair daquele ônibus ao saber seu nome. Aquele papel caiu, pequeno, insignificante, me mostrando que eu tenho mesmo sorte. Ou que o destino quer chutar minha canela, logo eu, que o condeno tanto.
Você desceu antes que eu. Não notou a folha caída. Antes de eu descer, fui até lá e a peguei, sem me importar com o que pensariam os outros passageiros. Dobrei-a com cuidado e a coloquei no bolso. Lá estava um resultado de umas provas suas. E o seu nome, que agora sei. Talvez eu sempre consiga tudo o que quero, mesmo. Cedo ou tarde. Eu não faço dos meus ônibus histórias de amor, ou viagens literárias.
Mas essa foi realmente uma Vitória pra mim.
(P.S.: Devo ou não devo te contar quem sou, e o quanto louco ainda posso ser?)





Já pensou se a prova é de uma amiga que não foi à aula? (Aquelas que estragam tudo, hahaha).
Fala com ela, sim!
Lindo texto.
Por: Natália em 31 outubro, 2011
às 5:55 pm
QUE LIN-DO!
Por: Marcelo Rezende em 31 outubro, 2011
às 8:40 pm