Pessoas são poços, eu pensei certa vez. Uma analogia. Eu te falei que havia criado uma analogia pra você, e você parece ter gostado, mas é impossível saber, uma vez que parecia gostar de tudo em mim.
E eu gostava do poço que era você, e tinha medo, é verdade, como se tem medo dos poços. Você era um poço, pois era inegavelmente profunda, de histórias e sentimentos. Um poço, pois assim que eu mergulhasse, não teria mais volta, me afogaria totalmente no seu ser, por todos os lados. Em vez de água, mágoa.
Te criei como analogia para poço, pois sabia, como minha maior intuição, que por mais perigoso que seja o poço, maior é a atração. E eu acreditei. E eu não ligo o quanto desconexo pareça esse texto, vai entender.
Mas agora você escolheu outro caminho.
Não crio mais analogias, não queria proferir essas palavras desses jeito, minha vontade era cuspi-las, “o dito e o não-dito” todos na sua cara, pra agitar essa calmaria que se transformou o nós.
Eu tinha certeza que aconteceria e por isso te chamei de poço e agora você sabe. Sabe que fez exatamente o mesmo que nos aproximonou na sua fragilidade. Eu não reclamo, apesar do ódio. Você é louca, mas eu te entendo. Não me recomendo pra ninguém. Sempre me dou os piores conselhos. A diferença é que não sou alguém da analogia. Sou da metáfora. Não o poço, mas alguém no fundo dele.
Mas você será um daqueles buracos solitários, em meio a um deserto. Algum desses que já foi rico, mas hoje é seco.





Lindo.
Por: enfins em 25 outubro, 2011
às 11:29 pm
Creio que ninguém vai querer ser a “musa” desse texto! hahah
Muito bom!
Por: Natália em 31 outubro, 2011
às 5:59 pm