Naquela praça havia árvores. Barraca de cachorro-quente, cachorros vivos, crianças correndo e brincando. Canteiros de flores e caminhos para passear. E bancos, muitos bancos para ler, ver, pensar. E em um desses bancos, diariamente, sentava um garoto, e ali ficava durante as tardes.
As tardes o percebiam, mas não era recíproco. Ele não enxergava. Era deficiente visual. O senhor do cachorro-quente sabia, as flores, as árvores, o banco na praça e inclusive alguns cachorros, que volte e meia roubavam o último pedaço do seu sanduíche. Menos ela. Ela não sabia que ele era cego.
Sentou ao lado dele. Conversaram timidamente, ela falando e ele respondendo. E a cada tarde foi assim. Cada vez mais amigos, ele cada vez mais dependente daquela voz, da segurança e da calma dela perante as suas dúvidas e desassossegos. Conversavam sobre o banco, sobre as árvores, sobre as flores. Tão diferentes em cada modo de ver cada uma dessas coisas. Tão iguais pela diferença.
Durante oito meses, a razão de o menino ter vontade de acordar todas as manhãs era a espera pelo momento em que a encontraria. Mas ele achava que ela ainda não sabia da sua dificuldade. E naquela tarde contou. Abriu seu coração, disse que tinha dificuldades e que necessitava dela para mudar, entre outras coisas:
-E eu preciso de você. Eu te quero sentada do meu lado, aqui, amanhã.
Ela não voltou. Naquele dia, nem os cachorros o perturbaram. Ele esperou.
E chorou. Chorou como nunca. Foi um choro sincero. E em silêncio. Quando tornou a abrir os olhos, percebeu que enxergava novamente. Conseguia ver cada flor, cada criança, cada árvore. E o banco.
E percebeu que ela havia mudado sua vida. O fazendo sofrer, por ter abandonado quando ele precisava, ela o fez enxergar novamente. Com o choro do sofrimento, ele lavou sua alma profundamente, limpando todas aquelas sujeiras que o impediam de captar o mundo.
Ele não a esqueceu. Pois o tempo cura o ferimento, mas não apaga a cicatriz.
Essa fica, por tão longos sejam os dias das nossas existências.
Massa o texto x:D
Por: Marlus em 19 novembro, 2009
às 1:58 pm
às vezes o amor é mais poderoso do que qualquer remédio.
às vezes o amor é o remédio.
Por: Natasha em 19 novembro, 2009
às 2:15 pm
caaaara, lindo o texto! *-*
Por: Gabriele em 19 novembro, 2009
às 5:36 pm
ouuuuw! quando falei que seria profundo, sem antes eu nem ler… acertei!
Por: Rejane em 20 novembro, 2009
às 12:44 am
Foda cara. Bem num momento que precisava ler isso.
Me ajudou bagarai. Tu não tem noção.
Abraço,a a gente se esbarra ali pelo 11.
Por: rellüM ocehcaP salokiN em 20 novembro, 2009
às 1:59 am
Nossa, um dos melhores do blog e um dos raríssimos que eu comentei. Muito bom.
Por: Eduardo Pedroso em 20 novembro, 2009
às 3:32 am
Eu entendi o que você disse da outra vez.
Por: Olívia em 20 novembro, 2009
às 3:11 pm
Sempre textos lindos!
Por: Natália Scholz em 20 novembro, 2009
às 4:46 pm
uooowww, que lindo! vou guardar esse na minha mente
Por: larissa ferreira em 24 novembro, 2009
às 10:03 pm
lindo! sei como é triste quando eles, os amores, vão embora.
Por: Gabriela em 3 dezembro, 2009
às 7:06 pm
eu não comentei antes, mas foi um dos teus melhores, Lucas.
sei que isso não vem ao acaso, que são coisas dentro de ti.
as vezes fico triste por ti, mas sei que serás um grande escritor. *ja é*
e como disse Natasha: “às vezes o amor é mais poderoso do que qualquer remédio.
às vezes o amor é o remédio.”
Beeijos
Por: Thaís em 7 dezembro, 2009
às 9:15 pm