Publicado por: contudo | 28 Outubro, 2009

Cronistas Inglórios

Quentin Tarantino foi criticado por não ter sido fiel à realidade histórica em sua recente criação, “Bastardos Inglórios” (filme em cartaz no Brasil desde 09 /10/2009), no qual, entre outras partes do enredo, um grupo de soldados judeus faz com que nazistas tenham uma “queda de cabelos” prematura.

Quem já teve a ilustre oportunidade de analisar o filme deve ter compreendido que Tarantino não foi fiel. Ele fez uma releitura histórica, talvez como vingança. Aliás, esse é o tema de capa da Revista Época de 05/10: uma nova forma de retratar a guerra, optando por se vingar, mesmo que na ficção, de todo mal causado pelos nazistas.

A genialidade de Tarantino reside neste ponto: não ser fiel a história e ainda alimentar um desejo de grande parte das pessoas, a vingança. Os diálogos do filme são impressionantes, engraçados e polêmicos.

Aliás, nós cronistas, podemos não ser bastardos. Mas somos inglórios também. Retratamos a vida, as situações, não fielmente, mas baseados nos desejos que queremos. Tentamos montar uma realidade crítica, um sentimento de contrariedade, um desafio para que o leitor possa parar e pensar: “Eu posso mudar a história”. E além: sem precisar de obras cinematográficas.

Nós somos a nossa própria versão. Às vezes sem a genialidade de Tarantino nos diálogos, mas, precisamos de algo mais genial que um “Bom dia!” acompanhado de sorriso, pela manhã?

Ah, nós cronistas somos inglórios, mesmo. Mas sem intenção de mudar a história. Para essa missão, ainda existe o Tarantino.

 

BI

Cartaz italiano de Bastardos Inglórios

 

 

Obs.: Quem viu o filme tem que concordar que Cristoph Waltz, o intérprete do Coronel da SS, Hans Landa, merece o Oscar de melhor ator coadjuvante. Quem ainda não viu, preste atenção, e concorde também. Buongiorno! (L.S.)


Respostas

  1. não sei se concordo que seja assim tão fácil mudar a história sem uma obra cinematográfica…

    mas de resto… um viva aos inglórios!
    se forem bastardos então… mais engraçado ainda.


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