Em certos momentos da vida Sarah se perguntou: porque escolhi estar aqui? Qual a minha verdadeira razão de respirar? E qual o melhor caminho a seguir para alcançar aquele pequeno pote de ouro no final do belo arco-íris?
As respostas fugiam de Sarah como os culpados da sirene desvairada dos carros iluminados.
Os dias chegam, o sol se apresenta e rotina de mais uma manhã se desenha na frente da nossa aventureira apaixonada como um belo cartaz feito das mais puras cores de uma aquarela. Para ela, levantar da cama se tornou um ritual matinal que não pode ser quebrado: olhos abertos, pedidos de sorte, pés no chão, havaianas, banheiro, chuveiro, toalha e escova de dentes.
O destino das suas saídas súbitas? É quase sempre o mesmo: a multidão louca das ruas de uma cidade do sul, com o frio rasgando a pele e os lábios, com esbarrões sem pedidos de desculpas, com expressões desconhecidas e com muita pressa nos pés, mas sem nenhum desejo no olhar.
Perdida neste mundo de perguntas que Sarah escolheu viver, pôde avistar de longe um boa razão para uma gargalhada digna de olhares assustados. Ao final da avenida, logo na esquina com a Rua 16 de novembro, enxergou alguém que provocava ao mesmo tempo calma e euforia no seu órgão vital. Ele era o piloto de sua mente. Esse alguém vinha em sua direção trazendo os ventos bem aventurados de uma terça-feira, trazendo os sorrisos de tempos passados, trazendo o verdadeiro cheiro das rosas, abrindo todos os caminhos de uma vida plena que estaria por vir.
Neste momento os outros passavam por ela como nuvens passam ao lado do avião em pleno vôo, como pequenos grãos de areia deixados para traz em uma praia deserta. Eles passavam sem nada a me oferecer.
Naquele instante magnífico, de glória absoluta para a amante Sarah, as respostas daquele questionário destemido que se alojou dentro do mais profundo batimento das suas veias veio à tona, como um vulcão cheio de força e calor: Nadar contra a corrente de almas que te invade todas as vezes que atravessas o portão de ferro que protege o teu castelo é uma tarefa para poucos. Eu digo, para poucos, mas este poucos são espécies de dragões ostensivos que veem a vida dos outros como uma possibilidade de aprendizado e que andam no meio das ruas de uma cidade sulista sem medo dos tropeços e com seu destino à vista.
Sarah sabia qual era seu destino naquela manhã em que o frio lhe rasgava e pele e os lábios, em que as pessoas apressadas a tocavam sem permissão em que o desejo era desconhecido. Seu destino estava nos braços daquele que a fazia sorrir do outro lado da rua, estava nos olhos de cílios grandes e loiros que aquele ostentava, estava na coragem e na soberana sintonia que os unia verticalmente e melhor ainda, horizontalmente.
No meio da nebulosa vida urbana é desumano não com quem se deitar em uma noite de segunda-feira, é desumano não ter com quem contar em horas em que o pranto é o único caminho, é desumano não ter quem fique em silêncio ao teu lado e desenhe com a ponta dos dedos todas as dobras dos seu corpo, é apenas isto, desumano.
Para que se perguntar sobre coisas que a vida não lhe mostrou a resposta? Tente se perguntar sobre aquelas coisas que fazem seu coração pulsar como de uma criança em épocas natalinas, sobre aquelas coisas que te fazem ganhar um mísero salário, mas que te completam mesmo sem cifrões estratosféricos, tente se perguntar. Essas são perguntas que podem criar seu questionário de reflexão e que no final de uma noite de segunda-feira poderão ser respondidas sem medo de arrependimentos ou dores, apenas com a certeza de que vivemos e somos humanos pelo questionamento constante da tão bela e “conhecida”vida.

Tuas palavra ssão sábias, Dona Lorena Risse!
Por: Grazi em 21 Outubro, 2009
às 5:16 pm
Escreva mais minha doce flor!
Boas palavras para uma segunda feira!
;D
Por: Otto em 23 Outubro, 2009
às 2:09 pm
Belissimo, encantador e muito envolvente, qualquer um pode se encontrar na pele de Sarah… mesmo morando no outro extremo do país aonde não é o frio que racha a pele, mas, o calor que a aquece a temperaturas inebriantes, eu posso me ver como um constante questionador da vida. Afinal qual é o sentido de tudo isso? Seu texto é bastante conciso e me leva a refletir, parabéns!
Por: Danilo Gomes em 23 Outubro, 2009
às 9:29 pm
Texto grande, mas que consegue nos prender até o final.
PARABÉNS guria!
Por: Fernando em 23 Outubro, 2009
às 9:41 pm
Absolutamente lindo!
O toque feminino do blog que o faz tão bom!
parabéns !
Por: Ju em 26 Outubro, 2009
às 9:39 pm
Você é perfeita!
Escreva sempre!
Por: Manda em 27 Outubro, 2009
às 9:20 pm
como se depois disso comentar fosse necessário
Por: larissa ferreira em 27 Outubro, 2009
às 11:02 pm
escreve mais .
Por: jessica l. em 27 Novembro, 2009
às 5:01 pm
Lindo! Palavras certas no momento certo! Parabéns pela sensibilidade!
Por: Camila Vargas em 30 Novembro, 2009
às 9:45 am