Caminhavam lado a lado, sem destino certo. Era horário de aula e estavam sozinhos no pátio. Antes não estivessem, pois o silêncio que sobressaia era tão gritante quanto a baderna de intervalo.
Levados pelo vento, ou pelo calor, chegaram a um banco à sombra de uma árvore. Automaticamente, sentaram e se quedaram a observar poeticamente a paisagem e sentir a brisa que passava por entre os dois.
Sem combinar, falaram ao mesmo tempo:
-Então.
Sorrisos. Paulo olhou para a árvore e Sofia abraçou a mochila. Foi a menina quem tornou a falar:
-Quanto tempo faz que eu não pergunto como você está? – perguntou, sem olhar para o menino.
-Talvez o tempo suficiente para mudar de ‘bem’ para ‘mal’. – respondeu ele, suavemente.
Silêncio.
-Tempo. Não me vem sendo favorável nos ultimamente. – murmurou Paulo.
Sofia olhou para o menino. Os profundos olhos muito negros brilharam.
-Ele te trouxe muitas novidades não? – disse ela, quase a sorrir. – Ora, não é todo dia que se recebe um poeta em casa. Trouxe muita alegria.
-Ele não sabe quem é, nem direito o que quer.
-Vocês têm realmente muito em comum.
-Talvez. O Sandoval arranjou um emprego. Está muito feliz.
-Ele é uma grande pessoa, e não entendo como veio parar aqui.
-Existem certas coisas que não precisamos tentar entender. Como explicar a minha atitude de abrigar um total desconhecido?
-Eu sinceramente me perguntava isso. Todos em Liberdade se perguntavam.
-Eu tampouco entendo. Pura intuição. Eu confiei nele.
-O coração da gente reserva cada surpresa, não é?
Silêncio.
-Mas nem só de vindas esse tempo me presenteou não é? – disse Paulo amargurado. – E as idas vão deixar muitas tristezas mais que as alegrias da vinda.
-Essa vida é mesmo cheia de idas e vindas, alegrias e tristezas. Mas só se tem essas coisas se há escolhas. Você já fez a sua?
-Já.
-Qual?
-Poesia.
Pegou a mochila, abriu e retirou um livro. No momento que fechava a mochila, o livro escorregou da sua mão e caiu com um baque surdo no chão.
-Ainda bem que não quebra. Nem parte ao meio. – Sorriu Sofia.
-É mais resistente que um coração, portanto.
Poucas coisas na vida são tão significativas quanto o sorriso em meio ao silêncio. Em todas as ocasiões um sorriso é importante, mas em meio ao silêncio ele se torna tão especial que supre todas e quaisquer palavras que um dia foram pensadas para tal.
A vida não pode ser feita apenas de sorrisos. Mas jamais deve ser apenas de silêncio.
“Repito: ninguém pense que eu estou louco. Se pensam isso, então que me recebam como louco para que assim eu possa sentir um pouco de orgulho.” (2 Co 11.16)
tá infinitamente lindo esse cap.
Por: larissa ferreira em 15 Abril, 2009
às 6:33 pm
Bah meu, muito fera..
parabéns pelo trabalho
meio dramático demais, mas ta tri. shauihsuiasa
abraço!
Por: Jonatas em 15 Outubro, 2009
às 9:43 am
[...] Ensaios – Cap. XI Para ler o Capítulo X, clique aqui. [...]
Por: Ensaios – Cap. XI « Contudo em 3 Novembro, 2009
às 3:58 pm
u-au.
é. corações não são mto resistentes… às vezes só uma brisa já racha eles ao meio :/
Por: Natasha em 4 Novembro, 2009
às 9:13 pm