Não é comum o Contudo entrevistar. Como exceção, há a entrevista que o Eduardo fez com a Martha Medeiros algum tempo atrás (http://migre.me/hyBr).
Apesar de englobar alguns dos fundamentos do jornalismo e falar sobre música, ainda não focamos aquele meio de comunicação que ainda é uma das principais fontes de informação e lazer: o rádio.
Para unir essas duas carências, entrevista e rádio, temos a honra de entrevistar um dos principais nomes do rádio gaúcho: Mauro Borba.
O Mauro é atualmente o Gerente da rádio Poprock FM 107.1, sendo um dos integrantes do Cafezinho e comandando a Hora do Rush e o Boys Dont´t Cry. Colorado e fã de rock clássico, Mauro respondeu às nossas perguntas sobre a vida no rádio e o rumos perante as novas tecnologias.
Confere:
MB- Acho que é importante utilizar as novas mídias e possbilidades digitais para reforçar a rádio. Tanto na busca de informações quanto na divulgação externa da programação e reforço de marca. Hoje temos pessoas trabalhando no site, acompanhando o twitter, o msn e atentos a todas as possibilidades da internet. Isso acabou fazendo parte do dia-a-dia da rádio. As novas mídias, tais como Ipod e tocadores de mp3 podem influenciar no conteúdo das rádios porque a música fica disponível a todos e provavelmente as emissoras tenham que buscar apresentar mais conteúdo como alternativa ao ouvinte.
MB- Isso é certo. O rádio (assim como o jornalismo em geral) requer uma boa dose de paixão para se exercer a profissão. Até porque não se trata de uma carreira muito rentável financeiramente. As pessoas que se destacam, geralmente gostam muito do rádio ou de música, ou das duas coisas.
C – Quando o projeto “Pop+Rock” foi ao ar, você citou em um post no seu site, que “a Pop Rock vai resgatar alguns conceitos que fizeram parte da rádio e que nos últimos tempos andaram um pouco esquecidos por razões variadas”. Quais são estes conceitos?
MB – Nos últimos anos a Pop Rock vinha trabalhando com um tipo de programação mais pop, mais comercial. Estávamos um pouco afastados do rock, por exemplo. E dos clássicos que sempre caracterizaram a programação. A partir de 2009 retomamos um pouco essa história buscando uma programação mais variada, sem repetir tanto as músicas, que é um padrão que ainda vigora na maioria das rádios e que nós acreditamos que em breve estará superado.
C - Você é um dos integrantes mais antigos do Cafezinho, comanda a Hora do Rush e o Boys Don’t Cry. Preferência por algum, mesmo os três sendo tão diferentes?
MB – É difícil. São programas diferentes. O Cafezinho é único e especial porque trabalha a informação e o humor. Geralmente é uma grande diversão fazer o programa e é o programa de maior sucesso que já fiz ou participei em todos esses anos de rádio. A Hora do Rush é um formato muito legal pela variedade de sons que posso trabalhar. Sempre dentro da linha dos clássicos. E o Boys é uma festa dos anos 80, mais pop. Mas, pra não ficar em cima do muro, vou preferir o Cafezinho.
C - A Máquina do Cafezinho foi uma inovação na maneira de transmitir futebol no sul do País, trabalhando em um ponto onde a concorrência não pôde agir. Foi uma forma de “ir à forra”?
MB – Eu diria que é uma maneira de buscar um diferencial. Estamos sempre buscando isso e no futebol encontramos uma saída. Algumas idéias podem ser copiadas, outras, compradas. Mas quando encontramos uma fórmula que as outras emissoras não podem ou não querem trabalhar por alguma razão, é muito bom pra nós e é o que nos garante numa concorrência sempre muito forte.
C - Emílio Surita, Marcelo Tas e… Mauro Borba? Como age Mauro Borba na ‘chefia’?
MB – Nem me comparo a esses dois grandes da comunicação brasileira hoje. Principalmente na questão salarial!! Mas também no quesito criatividade e importância. São dois grandes caras. Quanto a questão da chefia, talvez fosse o caso de perguntar ao pessoal que trabalha comigo. Por exemplo, o Arthur de Faria que está na radio há vários anos. Mas eu poderia dizer que sou um chefe tranquilo. Acho que todo mundo tem razão! As vezes sinto falta de ser mais “malvado” ou usar mais a autoridade no estilo do tradicional chefe, porque algumas pessoas precisam desse tipo de comportamento pra te entender como líder de um projeto, mas não é o meu estilo. Tenho dificuldade de elogiar também. Mas é fato que eu nunca me preparei pra isso, pra administração de pessoas, que é o mais difícil de tudo. Agora vou entrar um curso de Gestão empresarial e espero aprimorar essas questões.
C - Como futuro jornalista, acredito menos em ídolos e mais em referências, pessoas que tenham talento e reflitam isso para quem está começando. Quem você indica como uma referência sua, alguém que você “queria ser quando crescesse”?
MB – Quando eu era garoto eu gostava muito da equipe da rádio Guaíba que eu acompanhava diariamente no jornalismo e no futebol. Uma das minhas referências na época era o narrador Pedro Carneiro Pereira e os comentaristas Lauro Quadros e Ruy Carlos Osterman. Eu gostava muito também o do gerente da Rádio Cachoeira, onde eu comecei, Schneider Silva que era um grande comunicador. Do pessoal mais próximo, o Artur é uma referência cultural, a Katia Suman, o Eron Dalmolin, o Edu Santos, o Juarez Fonseca no jornalismo… para citar alguns.
C - Muito trabalho, pouco descanso, ausência de diploma, concorrência alta… qual a mágica do jornalismo, em ser tão atraente mesmo com todos os percalços?
MB – Acho que é o fascínio em comunicar. Existem grandes comunicadores que não trabalham em comunicação. E existem pessoas que trabalham com isso e são tímidos na comunicação pessoal. Eu sou um caso desses. Eu gosto muito de passar uma informação que eu acho legal, útil para as pessoas. Assim como, curto muito rodar um disco novo que eu acho que as pessoas devem conhecer. Sempre digo que o “feeling” do comunicador tu não aprende na escola. E acho que pra qualquer coisa que tu vai fazer na vida, tem que gostar. É o primeiro passo pra que funcione. E dificuldade tem em qualquer área. Se foi o tempo em que se tu era advogado tava feito na vida. Agora quantos advogados tem por aí? Mas é claro que os bons advogados sempre serão necessários. Os jornalistas também.
C – Para finalizar: Como pai e formador de opinião, que valores acha importante repassar aos jovens?
MB – Parece uma postura, como se dizia antigamente, careta, mas depois que tu tem filho tu pensa muito mais na importância de passar valores e coisas úteis para a vida e, é claro, ressaltar o cuidado com as coisas que podem te atrasar no processo, tais como drogas, álcool, etc. Essa coisa também da responsabilidade social, da sustentabilidade. Porque o mundão não vai aguentar se as pessoas não se conscientizarem que precisam cuidar do meio ambiente, que precisam deixar um legado para os seus filhos e para que essa engrenagem funcione. Quem não quer um mundo, uma cidade melhor? E o que a gente faz por isso? Se eu conseguir passar alguma informação pra que as melhorem, já é alguma coisa.
Reitero o agradecimento ao Mauro pela ótima entrevista.
Mas e você leitor, o que achou. Opina aí: Rádio, música, o que vier.
Com tudo.




