Publicado por: contudo | 25 janeiro, 2010

Entrevista: Mauro Borba

Mauro: "Rádio requer boa dose de paixão"

Não é comum o Contudo entrevistar. Como exceção, há a entrevista que o Eduardo fez com a Martha Medeiros algum tempo atrás (http://migre.me/hyBr).

Apesar de englobar alguns dos fundamentos do jornalismo e falar sobre música, ainda não focamos aquele meio de comunicação que ainda é uma das principais fontes de informação e lazer: o rádio.

Para unir essas duas carências, entrevista e rádio, temos a honra de entrevistar um dos principais nomes do rádio gaúcho: Mauro Borba.

O Mauro é atualmente o Gerente da rádio Poprock FM 107.1, sendo um dos integrantes do Cafezinho e comandando a Hora do Rush e o Boys Dont´t Cry. Colorado e fã de rock clássico, Mauro respondeu às nossas perguntas sobre a vida no rádio e o rumos perante as novas tecnologias.

Confere:

C – Em um dos livros recomendados pelo senhor, “Cem anos de solidão”, Garcia Marquez cita que “Dentro em pouco o homem poderá ver o que acontece em qualquer lugar da terra”. Sabemos que a internet já possibilita isso. Com esse crescimento, o papel do rádio mudou mais uma vez, assim como aconteceu na época da televisão. Que foco vem sendo empregado pelo rádio para alcançar uma maior interação com as novas mídias?

MB- Acho que é importante utilizar as novas mídias e possbilidades digitais para reforçar a rádio. Tanto na busca de informações quanto na divulgação externa da programação e reforço de marca. Hoje temos pessoas trabalhando no site, acompanhando o twitter, o msn e atentos a todas as possibilidades da internet. Isso acabou fazendo parte do dia-a-dia da rádio. As novas mídias, tais como Ipod e tocadores de mp3 podem influenciar no conteúdo das rádios porque a música fica disponível a todos e provavelmente as emissoras tenham que buscar apresentar mais conteúdo como alternativa ao ouvinte.

C – Sabemos que seu envolvimento com o rádio vem do berço. Portanto, muito mais que uma opção, a profissão de ‘Radialista’ é uma paixão?

MB- Isso é certo. O rádio (assim como o jornalismo em geral) requer uma boa dose de paixão para se exercer a profissão. Até porque não se trata de uma carreira muito rentável financeiramente. As pessoas que se destacam, geralmente gostam muito do rádio ou de música, ou das duas coisas.

C – Quando o projeto “Pop+Rock” foi ao ar, você citou em um post no seu site, que “a Pop Rock vai resgatar alguns conceitos que fizeram parte da rádio e que nos últimos tempos andaram um pouco esquecidos por razões variadas”. Quais são estes conceitos?

MB – Nos últimos anos a Pop Rock vinha trabalhando com um tipo de programação mais pop, mais comercial. Estávamos um pouco afastados do rock, por exemplo. E dos clássicos que sempre caracterizaram a programação. A partir de 2009 retomamos um pouco essa história buscando uma programação mais variada, sem repetir tanto as músicas, que é um padrão que ainda vigora na maioria das rádios e que nós acreditamos que em breve estará superado.

C - Você é um dos integrantes mais antigos do Cafezinho, comanda a Hora do Rush e o Boys Don’t Cry. Preferência por algum, mesmo os três sendo tão diferentes?

MB – É difícil. São programas diferentes. O Cafezinho é único e especial porque trabalha a informação e o humor. Geralmente é uma grande diversão fazer o programa e é o programa de maior sucesso que já fiz ou participei em todos esses anos de rádio. A Hora do Rush é um formato muito legal pela variedade de sons que posso trabalhar. Sempre dentro da linha dos clássicos. E o Boys é uma festa dos anos 80, mais pop. Mas,  pra não ficar em cima do muro, vou preferir o Cafezinho.

C - A Máquina do Cafezinho foi uma inovação na maneira de transmitir futebol no sul do País, trabalhando em um ponto onde a concorrência não pôde agir. Foi uma forma de “ir à forra”?

MB – Eu diria que é uma maneira de buscar um diferencial. Estamos sempre buscando isso e no futebol encontramos uma saída. Algumas idéias podem ser copiadas, outras, compradas. Mas quando encontramos uma fórmula que as outras emissoras não podem ou não querem trabalhar por alguma razão, é muito bom pra nós e é o que nos garante numa concorrência sempre muito forte.

C - Emílio Surita, Marcelo Tas e… Mauro Borba? Como age Mauro Borba na ‘chefia’?

MB – Nem me comparo a esses dois grandes da comunicação brasileira hoje. Principalmente na questão salarial!! Mas também no quesito criatividade e importância. São dois grandes caras. Quanto a questão da chefia, talvez fosse o caso de perguntar ao pessoal que trabalha comigo. Por exemplo, o Arthur de Faria que está na radio há vários anos. Mas eu poderia dizer que sou um chefe tranquilo. Acho que todo mundo tem razão! As vezes sinto falta de ser mais “malvado”  ou usar mais a autoridade no estilo do tradicional chefe, porque algumas pessoas precisam desse tipo de comportamento pra te entender como líder de um projeto, mas não é o meu estilo. Tenho dificuldade de elogiar também. Mas é fato que eu nunca me preparei pra isso, pra administração de pessoas, que é o mais difícil de tudo. Agora vou entrar um curso de Gestão empresarial e espero aprimorar essas questões.

C - Como futuro jornalista, acredito menos em ídolos e mais em referências, pessoas que tenham talento e reflitam isso para quem está começando. Quem você indica como uma referência sua, alguém que você “queria ser quando crescesse”?

MB – Quando eu era garoto eu gostava muito da equipe da rádio Guaíba que eu acompanhava diariamente no jornalismo e no futebol. Uma das minhas referências na época era o narrador Pedro Carneiro Pereira e os comentaristas Lauro Quadros e Ruy Carlos Osterman. Eu gostava muito também o do gerente da Rádio Cachoeira, onde eu comecei, Schneider Silva que era um grande comunicador. Do pessoal mais próximo, o Artur é uma referência cultural, a Katia Suman, o Eron Dalmolin, o Edu Santos, o Juarez Fonseca no jornalismo… para citar alguns.

C - Muito trabalho, pouco descanso, ausência de diploma, concorrência alta… qual a mágica do jornalismo, em ser tão atraente mesmo com todos os percalços?

MB – Acho que é o fascínio em comunicar. Existem grandes comunicadores que não trabalham em comunicação. E existem pessoas que trabalham com isso e são tímidos na comunicação pessoal. Eu sou um caso desses. Eu gosto muito de passar uma informação que eu acho legal, útil para as pessoas. Assim como, curto muito rodar um disco novo que eu acho que as pessoas devem conhecer. Sempre digo que o “feeling” do comunicador tu não aprende na escola. E acho que pra qualquer coisa que tu vai fazer na vida, tem que gostar. É o primeiro passo pra que funcione. E dificuldade tem em qualquer área. Se foi o tempo em que se tu era advogado tava feito na vida. Agora quantos advogados tem por aí? Mas é claro que os bons advogados sempre serão necessários. Os jornalistas também.

C – Para finalizar: Como pai e formador de opinião, que valores acha importante repassar aos jovens?

MB – Parece uma postura, como se dizia antigamente, careta, mas depois que tu tem filho tu pensa muito mais na importância de passar valores e coisas úteis para a vida e, é claro, ressaltar o cuidado com as coisas que podem te atrasar no processo, tais como drogas, álcool, etc. Essa coisa também da responsabilidade social, da sustentabilidade. Porque o mundão não vai aguentar se as pessoas não se conscientizarem que precisam cuidar do meio ambiente, que precisam deixar um legado para os seus filhos e para que essa engrenagem funcione. Quem não quer um mundo, uma cidade melhor? E o que a gente faz por isso? Se eu conseguir passar alguma informação pra que as melhorem, já é alguma  coisa.

Reitero o agradecimento ao Mauro pela ótima entrevista.

Mas e você leitor, o que achou. Opina aí: Rádio, música, o que vier.

Com tudo.

Publicado por: contudo | 20 janeiro, 2010

5.Costureiro

I can’t find the words to say
And I’ve been housing all this doubt and insecurity
Heaven’s gates won’t open up for me
But she’s touching his chest
Quando conheci você, logo me apaixonei pela cor do teu olho
After that, try to get you back
I mean I, I mean I need to Love
I’ll be waiting for you, baby
I’ve lost my fear to war and peace
I got celebrate and dance so free
Saúde e simpatia no que há por vir
Vai dizer que o mundo agora não se parece com um esboço do que foi?

Costurei sentimentos. E o que saiu, foi essa letra.

O único sentido dela? Contramão.

(Nesse texto, passagens de algumas das minhas músicas preferidas de: Armandinho, David Guetta, Nickelback, Oasis, Tópaz, Forfun, Maroon 5, Daft Punk, Franz Ferdinand, The Killers, Strokes e Relient K).

Publicado por: contudo | 11 janeiro, 2010

Nenhum dia sem um traço

Cada segundo que passa
Me remete ao começo
Se repete ao avesso
Palavra por palavra
Assim, dou vida ao traço
E faço da tinta minha confissão
Um elogio a insanidade
Loucura ao alcance das mãos
O ápice da liberdade
O sim inverso do não
E falo sem dizer nada
Monólogo de mim pro mundo
A linha é o mar onde afundo
E cada palavra me salva;
(B.G)

A chuva que molha
A triste poesia que cala
Talvez ao tentar virar fala
Limpe os olhos de quem olha
Matando toda cegueira
Do que não queremos ver
Transformando sem querer
Cada gota num poema;
(B.G)

Publicado por: contudo | 30 dezembro, 2009

Sobre Olhares

Meu olhar fitava normalmente o movimento por entre as mesas daquela praça de alimentação. Até te avistar. Ah, esse meu olhar que só me trai, se quedou em você, sem querer largar. Tinha esquecido como você fica fofa quando só bebe água. Só água. Jantando com a mãe – ou quem julgo ser a mãe- e o irmão, esse com certeza, tamanha a semelhança entre vocês. Nem parece a mesma daquelas festas loucas de muita luz.

Ah! Aproveita esse momento, Giulia, nesse momento que te admiro. Você pode não me conhecer, eu mesmo conheço muito pouco sobre mim. Conheço menos sobre você, talvez seu nome e o quanto fica bem de blusa branca e short preto. Aproveitar o momento, Giulia, e sair com o olhar tão vago que me faz parar de respirar.

Te esquecerei, tão logo volte a respirar. Aproveita, esse momento vem logo. Então te perco.

Publicado por: contudo | 19 dezembro, 2009

Isso bastava

Cuidado para não se acostumar. Para não se aconchegar tanto nos braços de um alguém. Sarah fez isto. Estava hipnotizada pelos braços suados e brancos daquele amado. Não podia mais passar um anoitecer sem o toque dos seus lábios e sem o cheiro de lavanda que embalava todos os suspiros apaixonados dela.

Just Like

Acordava todas as manhãs coma cabeça vazia e logo depois do despertar verídico, sua mente era invadida pela imagem dele. Os pensamentos se confundiam dentro da sua mente, mas com o passar dos minutos a neblina do sono ia se desfazendo e aquele rosto ia se materializando com muito mais clareza.

A boca era tão rosada e macia que mais parecia um morango aveludado trazido da melhor colheita já feita em todos os tempos. Tinha o hálito suave como de quem acabou de mastigar folhas de hortelã colhidas à mão. Nos olhos via-se o verde que esporadicamente vinha visitá-los. Cílios demasiadamente grandes e volumosos faziam com que cada piscar ventilasse o rosto dela de uma tal maneira que o calor do momento sumira. As madeixas? Ah, as madeixas, eram de um liso que não se via em japonês e alemão algum, o cheiro era de aloe vera e a textura a fazia acariciá-las por horas sem que percebesse.

Os braços sempre fortes e seguros davam inspiração e tranqüilidade, enquanto que as pernas provocavam devaneios que jamais alguém sentiu como tal. Elas eram grossas de uma firmeza que a encantava.

O poder do peito era magnético. Bastava se postar próximo ao seu rosto que uma energia natural os unia como imãs. Naquele lugar ela descalçava de todas as loucuras da cidade e podia sonhar com uma vida à dois cheia de regalias e sorrisos. Era ali que ela podia escutar o bater do órgão vital dele… Isso bastava.

O corpo inteiro representava um território vasto. Era lá que ela queria construir sua moradia, em cima de um chão sólido, no qual nenhuma brisa de verão podia destelhar seu telhado ou derrubar suas paredes.

Nesta morada haveria muitas flores, muitas árvores e uma cadela que latisse. Na cozinha um fogão à lenha para nos alimentar e uma mesa de carvalho para que pudéssemos aproveitar tudo o que a terra nos deu. Na sala, um sofá melancólico para as tardes chuvosas. Uma lareira para iluminar nossas madrugadas amorosas e nos esquentar nos dias de frio, que com certeza chegariam. No quarto, um grande retrato dos dois e um lugar para que pudessem descansar nos dias corridos.

Neste espaço de paredes e amor, Sarah poderia passar o resto da vida com aquele que despertou-a no inicio deste texto ou apenas sonhar com ele, nos coração dela, isso bastava.

Publicado por: contudo | 15 dezembro, 2009

Pequeno Tratado

Como a simplicidade é a virtude dos sábios e a sabedoria, dos                                santos, assim a tolerância é sabedoria e virtude para aqueles                                que – todos nós – não são nem uma coisa nem outra (Comte-                                  Sponville, André. “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes”,                                    p.189. 2009)

Essa passagem é um tanto auto-explicativa. Poderia acabar o post por aqui que a mensagem que pretendo passar já estaria completa.

Há algumas semanas, divido minhas leituras entre o livro acima, muito mais prolixo e filosófico, e “Livro em Poesia”, uma antologia organizada pelo Sérgio Faraco, que é bem leve. Duas ótimas leituras. Fica a dica.

Admito que leio menos o “Pequeno Tratado”, até por necessitar de um espírito blindado, muita atenção aos detalhes das linhas e entrelinhas. Atenção, característica essa, que poderia ser uma virtude, mas não combina muito com meu ser.

Mas a mensagem é essa: tolerância é uma virtude. Nem tudo pode ser visto de forma literal. O que nos falta é viver a vida mais coloquialmente. Isso não é probreza. Coloquial também é uma classe gramatical. Vivamos com classe.

Sejamos tolerantes a ponto de conciliar duas leituras, prosa e poesia, mesmo que isso nos tome uma necessidade de compreensão além da conta.

A simplicidade da poesia, a sabedoria de uma filosofia e a tolerância de um simples leitor.

Publicado por: contudo | 10 dezembro, 2009

Que fui que sou?

 

.

Hoje me vi em mim mesmo
atado ao desejo
de ser quem não sou
Perdido no gosto do vento
Fascinado num momento
Congelado e com calor;

A tinta do ser que eu não era
Colorida em preto e branco
Espalhou a paz pelos cantos
De uma insana aquarela;
 
Quem iria imaginar
Que o som do ser que vou ser
Me faria um dia ver
O amanhã sem nem chegar,

Ou  que aquilo que procuro
No que hoje já não sou
Me fariam encontrar
Um lugar pro que ficou..?

(B.G)

Publicado por: contudo | 7 dezembro, 2009

Saia é coisa de homem


Fred: "Crio o Dino livre, leve e solto. Vilma adora!"

“Calça é coisa de homem. As mulheres que usem saia ou vestido. Calça feminina? Sinceramente, que absurdo!”

Uma frase como esta seria dita com naturalidade na década de 20, época em que uma atriz usou calças em público pela 1ª vez.

No Sudão, em julho de 2009, quase 1 século depois, mais de 10 mulheres foram chicoteadas por usarem calças em um restaurante. Policiais invadiram o estabelecimento e distribuíram 10 chibatadas entre as que se declararam culpadas. Muitas admitiram “vestir-se de forma indecente”, pois assim levariam apenas 10 chicotadas, ao invés de se dizer inocente, ser culpada de qualquer forma por um tribunal manipulado por um governo psicótico e levar 40 depois. Imagine então o que seria feito com Gesye Arruda.

Em nossa cultura ocidental, no entanto, as calças para mulheres são completamente normais. Claro que elas não usam as mesmas peças masculinas, diversos modelos foram criados para atender as particularidades do corpo feminino. Destacar curvas e valorizar a parte traseira da silhueta virou função principal desta roupa, surgida com operários que só queriam algo que não rasgasse tão fácil.

Repreender alguma mulher por usar calça é ridículo. Repreender qualquer pessoa por utilizar uma peça de roupa, somente porque ela é bifurcada, é um pensamento ainda mais ridículo. Agora, aperta o cinto pra não ficar com as calças na mão: E o que dizer de homens de saias?

Antes de fechar o blog, pensa comigo: Quem tem algo no meio das pernas são os homens, então pra quê usar algo costurado no meio? E se você pensa que usar saia é coisa de gay, saiba que antigos guerreiros usavam saias enormes pra esconder a posição das pernas, então o inimigo nunca sabia qual era sua perna de apoio, o que tornava quase impossível a missão de derrotá-lo. Este mesmo guerreiro ia te cortar ao meio antes de você pensar em sua sexualidade.

Não vou usar saias, mas homens deveriam dar uma chance para algo que não tenha duas pernas. Fisiologicamente, calças fazem mais sentido para mulheres, que não tem nada entre as pernas. E qualquer homem, mesmo que não goste de calças justas, já sentiu certo aperto em algumas ocasiões com jeans.

E se a questão for mobilidade, o que falar daquelas calças largas, de mano, com o gancho lá embaixo? Se cortada na altura do joelho, esta peça não vira uma bermuda, vira uma saia, senhores. Com estilo largado, rappers e basqueteiros prezam pelo conforto e não são considerados gays ou chicoteados por isto.

Não digo que vou usar saias e não proponho saias para homens de um dia para o outro. Proponho aqui somente uma mudança no pensamento cavernoso “É diferente? Então vamos humilhar, bater e rejeitar!”, como um acompanhamento da evolução natural. Contudo, se você realmente abomina a ideia das saias, nem espere 2010, não tente ser melhor e volte à Idade da Pedra. Ah, eu já ia esquecendo: Fred Flisntone jamais usou calças.

Este post surgiu enquanto eu fazia esta notícia: H&M aposta em saia e sarouel para homens.

Publicado por: contudo | 4 dezembro, 2009

4.Formigar

“I’ve lost my fear to war and peace. I do my best.”

Ao abrir a janela
Avisto na persiana
Uma pequena formiga
Que se espreguiça leviana

Digo a ela – é o cúmulo
Ao que me olha e responde
Cúmulo é você do lado de dentro
E o sol brilhando lá fora

E sorri sabiamente
Tornando a espreguiçar
Ao que proclamo confuso
Nunca vi formiga falar!

Ao lavar os olhos
Lá está a formiga, na pia do banheiro
E me diz – não precisa de água nos olhos
E sim de um amor verdadeiro

Timidamente sorrio
E ela se despede carinhosa
Assoviando ao caminhar
Aquela humilde formiga honrosa

Observo minha imagem no espelho
Penso comigo mesmo
O próximo passo que vou dar
É falar com um tamanduá

Publicado por: contudo | 30 novembro, 2009

Lar doce lar

O tempo corre. As semanas passavam como se não houvesse mais intervalos para um belo sorriso ou uma flor de laranjeira. Sarah passava a semana inteira indo e voltando dos mesmos lugares, vendo e encontrando as mesmas pessoas e voltando para a toca sempre ao som das mesmas badaladas e sempre se atirava nos lençóis brancos e quando via, era hora de levantar.

Quando tinha uma mísera folga, dava atenção para aquele que fazia suas tardes de sábado e domingo tranqüilas e frenéticas, aqueles que a tocava sem pudor, mas com todo o respeito e amor do mundo. Entregava a ele seus dois dias de descanso e voltava para casa ao som das mesmas badaladas dos dias de semana. Tudo voltava a ser como era nos dias comuns.

Com o passar do tempo esqueceu-se de como é bom acordar tarde e ver desenhos animados sem ter que se preocupar em levantar, de como é bom fazer um belo almoço, de como é bom passar a tarde deitada olhando o movimento das pessoas pela janela, de como é bom ter a companhia do pai nos domingos e de como as idas ao supermercado são motivos para grandes planos e reflexões.

Ah, como é bom!

Reconhecer o aconchego do lar, por mais simples que ele seja, cuidar para que tudo fique limpo para a semana que já vai começar, traçar seus objetivos com uma régua gigante e efetua-los com sucesso, ver que a casa te espera sempre com um bom leite quente e um travesseiro para descansar.

Às vezes a rotina nos leva aquilo que nos faz realmente felizes. A correria e as pessoas importantes tomam lugares estratosféricos no nosso dia-dia que nos fazem esquecer, ás vezes do nosso espaço. Aos domingos Sarah resolveu ficar em cassa e curtir tudo aquilo que o batente lhe tirara durante a semana. Aos sábados continua sendo feliz ao lado daquele amado de grandes cílios. De segunda à sexta, continua no mesmo lugar, nos mesmos horários e com o mesmo sorriso, apenas com um diferencial: louca pra voltar pra casa e sentir o cheiro de lar que há tanto tempo não pintava por estas bandas.

Ao meu amado: obrigada por este oitavo motivo para sorrir.

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